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13/07/2012

RE: Carta nº 2

Meu amigo Coração,

Não posso deixar de te dar razão na pequena crítica que me fazes. Realmente, eu sou muito racional e faço tudo com calma. Então o que me levou a tomar aquela atitude no dia 2 de Junho? Simples. Como tu bem sabes, o objetivo era apenas confessar o que já se sabia, e nada mais. Mas como tu também bem sabes, as coisas mudaram um bocado desde o momento em que acabámos de escrever aquela fita (sim porque as palavras foram todas da tua autoria, e eu restringi um pouco o que realmente queríamos dizer). Confessar apenas as coisas já não servia de nada. Era preciso agir. E, naquele caso, decidi dar-te ouvidos uma vez. E foi daí que surgiu aquele beijo. E diz-me lá se tu não te sentiste realizado e feliz no momento em que os lábios se tocaram? Eu sei que sim, por isso aproveita bem, porque acabaste de entrar na fase mais feliz da nossa vida.

Cumprimentos,
Cérebro

Carta nº 2

Caro Cérebro,

Não é que eu não esteja super agradecido por teres seguido o meu conselho, mas gostava de saber qual foi a razão por detrás da tua escolha. Não pode ter sido apenas a fé inabalável de que ia dar tudo certo... De certeza que houve uma explicação qualquer. Convenhamos: tu até estavas bem como estavas. E quase que deitaste tudo a perder num beijo que, mesmo que tenha mudado tudo, não estava nada planeado. E tu, que te prezas tanto por ser tão racional e fazeres tudo com calma! Gostava de saber apenas, o que te deu para fazeres aquilo naquele dia fatídico.

Atenciosamente,
O Coração

23/01/2012

Resposta à carta aberta

Amigo cérebro,

Primeiro, gostaria de agradecer a preocupação que tens para comigo e todas as palavras encorajadoras que disseste sobre mim. Depois dizer-te que o teu papel é tão ou até mais importante que o meu, visto que no caso do nosso "patrão", a razão consegue ter bastante mais peso numa decisão difícil, o que é notável.

Agora em resposta às tuas perguntas. Queria fazer primeiro um ponto prévio em relação à Aoi: ela quer dar-me uma prenda, é certo. Mas tanto eu como tu já percebemos qual é o motivo disso, não é? Ela apenas quer ver se consegue comprar de volta a nossa amizade, o que é impossível. Aquela prenda não tem significado nenhum para mim.
Agora em relação ao segundo ponto que tu disseste: não o consigo esconder. Sim, é lógico que fiquei triste e um bocado magoado com isto, mas suponho que é o normal quando uma pessoa está apaixonada, não é? Dito isto, só quero avisar-te que não vale a pena ficara chorar por alguém que não nos merece (o primeiro caso). E não vale mesmo a pena ficar triste quando uma pessoa é honesta e sincera contigo desde o primeiro minuto. Nunca me mentiu, e quando me disse que seria pouco provável acontecer algo entre nós, eu fiz aquilo que já tínhamos acordado com o "patrão": o de respeitar a decisão que ela iria tomar, fosse ela positiva ou não, e estar sempre lá para a apoiar. Que eu saiba, os amigos servem para isso mesmo, não é?
Podia dizer-te que "há mais peixe no mar", o que até nem é mentira, mas tanto tu como eu sabemos como é o "patrão". Ele não gosta de ser como a maior parte dos rapazes que anda por aí. Ele prefere que as coisas se desenvolvam com calma, e o que acontecer, é porque estava destinado a acontecer.

Termino apenas para confirmar aquilo que já se sabe: não guardo ressentimentos ou rancor de ninguém.
O nosso lema sempre foi e sempre será o mesmo: "Nunca olhar para trás com arrependimento e encarar o futuro com um sorriso na esperança que tudo corra bem!"

Cumprimentos,
O coração

Carta aberta ao coração

Meu caro coração,

Mais que todos os órgãos, eu respeito-te pois para além do oxigénio que nos dás a todos, tenho vindo a reparar que consegues fazer uma coisa que nenhum outro consegue. E que coisa é essa, perguntas tu? Muito simples: a capacidade que tens de ser desfeito em mil pedaços e conseguires funcionar a 100%. E de conseguires reconstruir-te com uma rapidez grande apesar das várias dificuldades que passaste nestes últimos meses.
No entanto, há uma pergunta que eu te queria fazer. Como é possível que depois de isto tudo (a confusão toda que tiveste com a Aoi e agora a "guerra" que tiveste por causa da Shiria) ainda consigas andar de sorriso na cara? Quer dizer, não te sentes triste? Magoado? Como é que és capaz de lhe dar conselhos sabendo que não foi a ti que te escolheu? Sendo eu um ser apenas racional e nada emocional, faz-me muita confusão que encares tudo isto da melhor maneira... Quer dizer, até a Aoi te quer dar uma prenda e tudo! Como é que o fazes?

Atenciosamente,
O cérebro